Diário da Missão

  • Compartilho com vocês uma simples experiência missionária vivida junto ao povo Mixteco no Estado de Guerrero - México

    Alfredo, sou natural do município de Boa Viagem - Ceará, sou noviço Comboniano e há quase um ano estou vivendo no México, pois aqui se encontra o nosso noviciado intercontinental de América Latina e Ásia

    Olá. Me chamo Alfredo, sou natural do município de Boa Viagem - Ceará, sou noviço Comboniano e há quase um ano que estou vivendo no México, pois aqui se encontra o nosso noviciado intercontinental de América Latina e Ásia. Atualmente estou vivendo a bonita e enriquecedora etapa do noviciado. Esta fase “se caracteriza por ser a primeira experiência profunda da formação missionária e durante este tempo forte e bonito se vive uma experiência pessoal com Cristo bom pastor e missionário”. Quero também salientar os diversos momentos significativos que constituem o noviciado como, por exemplo, a experiência de missão que nós noviços vivenciamos, durante os meses de março e abril. Eis a minha experiência.

    Partilha, aprendizado e sensações experienciadas

    Depois de partir da cidade do México e de viajar durante 13 horas até ao pequeno município de Cochoapa o Grande, localizado no estado de Guerrero, finalmente chegamos ao nosso destino: as comunidades indígenas da etnia Mixteca, localizadas numa região montanhosa do referido estado, estas comunidades fazem parte da paróquia São Tiago Apóstolo, que pertence à Diocese de Tlapa de Comonfort, onde estão presentes os Missionários Combonianos. A referida paróquia Comboniana é formada por 146 comunidades indígenas e atualmente apenas dois sacerdotes Combonianos formam a comunidade comboniana. Por esse motivo, sua atividade muitas vezes se resume à administração dos sacramentos e à celebração da missa.

    povo Mixteco, foram intensos, de grandes aprendizados, de crescimento humano, mas também de fortalecimento da nossa fé.  Junto com eles, participávamos das celebrações religiosas que eles sempre realizam, como por exemplo, na festa do padroeiro ou de outros santos, quando oferecem algum sacrifício a Deus. Tal sacrifício consiste em ir até uma montanha levando um animal, pode ser um carneiro ou um bode, enquanto alguém mata o animal uma das lideranças indígenas ora a Deus, ou seja, apresenta as necessidades e súplicas da comunidade ou da família, pela qual está sendo oferecido o sacrifício

    Os dois meses que passamos junto ao povo Mixteco, foram intensos, de grandes aprendizados, de crescimento humano, mas também de fortalecimento da nossa fé. Junto com eles, participámos das celebrações religiosas que eles sempre realizam, como por exemplo, a festa do padroeiro ou de outros santos, quando oferecem algum sacrifício a Deus. Tal sacrifício consiste em ir até uma montanha levando um animal, pode ser um carneiro ou um bode. Enquanto alguém mata o animal, uma das lideranças indígenas ora a Deus, apresentando as necessidades e súplicas da comunidade ou da família, pela qual está sendo oferecido o sacrifício. Em seguida, ali mesmo cozinham uma parte do animal, normalmente as vísceras e a oferecem a Deus. Depois compartilham o alimento com as pessoas presentes.

    O momento mais significativo para o povo Mixteco é a semana santa, pois é um momento de acompanhar o Senhor Jesus nos seus últimos passos antes de sua morte e ressureição. Os preparativos começam logo na quarta feira de cinzas, onde as lideranças da comunidade (geralmente só homens) de manhã bem cedinho, oferecem o café ou atole (uma espécie de bebida feita de milho moído ou arroz) e também tortillas (espécie de panquecas feitas de farinha de milho). Logo que terminam, todos seguem em procissão até à Igreja, levando flores e velas como forma de oferenda a Deus e ali rezam o terço ou outras orações. No fim da tarde há outro momento de oração, em que a comunidade participa, continuando com a encenação da última ceia, o lava pés e a via sacra até à ressurreição de Cristo.

    quaresma para eles è também de muitas festas e de abundância; é festa no sentido literal da palavra. Há uma tradição nessas comunidades da montanha de, em cada sexta-feira da quaresma, em uma determinada comunidade, realizar uma festa que inclui a missa com os sacramentos, danças típicas, feira livre (alimentos, roupas, calçados e muito mais), rodeio, queima de fogos de artifício, esporte, dentre outras atrações

    O tempo da quaresma para eles é também de muitas festas e de abundância; é festa no sentido literal da palavra. Há uma tradição nessas comunidades da montanha de, em cada sexta-feira da quaresma, em uma determinada comunidade, realizar uma festa que inclui a missa com os sacramentos, danças típicas, feira livre (alimentos, roupas, calçados e muito mais), rodeio, queima de fogos de artifício, esporte, dentre outras atrações.

    Nos dias anteriores à festa há sempre momentos de oração, em que compartilham algum tipo de comida típica e também levam às famílias ausentes, enviando a suas casas um pouco de comida.

    Um povo sedento de ouvir a palavra de Deus e que deseja aprender mais de Deus

    Fomos enviados a três comunidades indígenas, onde vive um total de umas 110 famílias. Ali ainda não há nenhum catequista que possa ensinar as primeiras orações, ou realizar a celebração da palavra. Por isso, aos domingos reza-se o terço em comunidade. Geralmente a preparação para os sacramentos é feita pelos missionários. Somente é possível celebrar a missa a cada dois meses e nas festas do padroeiro, uma vez que os padres são somente dois, para as 146 comunidades dispersas entre as montanhas.

    sacramentos de uma maneira humilde, mas orgulhosos e contentes de poderem viver esse momento único em suas vidas e nesse dia colocam suas roupas típicas, as mulheres usam uma peça de  roupa que em sua língua indígena se chama huipil (peça de roupa superior feita a mão pelas mulheres indígenas, para a confecção de uma só peça levam de 3 a 6 meses dependendo do tamanho, por ser de muitos detalhes e cores) para elas essa roupa se usa em ocasiões especiais e de festa

    Durante o tempo que estivemos junto a eles, também lhes oferecíamos catequeses todos os dias, preparando crianças, adolescentes e jovens para receber os sacramentos. Na fase inicial de aproximação, foi possível perceber a vontade e a sede que eles têm de aprender mais sobre Deus e sobre a Igreja. São capazes de ficar durante horas e horas escutando e participando do encontro. Ao final, foi bonito e gratificante ver o povo recebendo os sacramentos de uma maneira humilde, mas com orgulho e muito contente por viver esse momento único em suas vidas. Nesse dia vestiram suas roupas típicas. As mulheres usam uma peça de roupa, que em mixteco se chama 'huipil': peça de roupa superior (blusa), feita à mão pelas mulheres indígenas. Para a confecção de uma só peça, levam de 3 a 6 meses, dependendo do tamanho, por ser de muitos detalhes e cores. Essa roupa somente é usada em ocasiões especiais e de grande festa.

    Administração e organização das comunidades indígenas

    As lideranças têm um papel fundamental na administração e ordenamento em todos os sentidos, desde a organização da vida religiosa até às decisões políticas do povo. Os líderes e autoridades são sempre homens que na igreja realizam alguma atividade:

    - Cantores: responsáveis de cantar na missa e responder às orações durante a mesma.

    - Cantores: responsáveis de cantar na missa e responder às orações durante a mesma.

    - Mordomos: organizam e financiam as diferentes festas religiosas.

    - Fiscais: são os responsáveis por fazer a limpeza do templo e administrá-lo.

    - Comissário: é um líder político, ou seja, um representante de algum partido político, que tem influência na decisão do voto das pessoas.

    - Senhores idosos da comunidade.

    Esta equipe se encarrega de manter vivas as tradições do povo, cuida da educação das crianças, das obras que são realizadas na comunidade e até de resolver problemas conjugais entre as pessoas que vivem na comunidade, entre outros assuntos.

    fé daquela gente e sua sede de escutar a palavra de Deus, aprendendo o passo a passo para serem verdadeiros cristãos. Achei muito legal sua maneira humilde e sincera de falar com Deus nos diversos momentos em que celebram na comunidade, tanto nas festas de padroeiros, como quando vão ao alto da montanha oferecer um sacrifício ou simplesmente quando aos domingos acorrem ao templo para oferecer flores e acender uma vela, pedindo e agradecendo ao pai criador por suas necessidades e graças recebidas. Gostei muito do jeito como eles falam com Deus no templo ou fora dele. É como um diálogo sincero entre um filho e seu pai ou mãe, espontâneo e simples

    O grande aprendizado dessa experiência junto ao povo Mixteco

    Para mim o grande legado dessa bonita e maravilhosa experiência é o testemunho de fé daquela gente e sua sede de escutar a palavra de Deus, aprendendo o passo a passo para serem verdadeiros cristãos. Achei muito legal sua maneira humilde e sincera de falar com Deus nos diversos momentos em que celebram na comunidade, tanto nas festas de padroeiros, como quando vão ao alto da montanha oferecer um sacrifício ou simplesmente quando aos domingos acorrem ao templo para oferecer flores e acender uma vela, pedindo e agradecendo ao pai criador por suas necessidades e graças recebidas. Gostei muito do jeito como eles falam com Deus no templo ou fora dele. É como um diálogo sincero entre um filho e seu pai ou mãe, espontâneo e simples, sem usar fórmulas ou palavras complicadas. Ao voltar dali, retorno humanamente e espiritualmente renovado, com o coração e a alma contentes e saltitantes por ter vivido e aprendido tanto com essa bonita experiência e ter a oportunidade de aprender desses meus irmãos e irmãs de seus costumes, tradições e de suas crenças e, sobretudo de sua capacidade de saber partilhar aquele pouquinho que Deus lhes concede por meio de seu árduo trabalho.

    Saio dali também com as motivações renovadas e purificadas rumo ao passo da consagração como missionário, sabendo que vale a pena deixar tudo para seguir os passos de Jesus libertador, vale a pena consagrar a vida a serviço do outro… que é possível deixar a minha cultura e meu país para servir, viver e aprender em uma cultura diferente, não por aventura ou curiosidade de conhecer, mas sobretudo por amor ao projeto de Deus para todos os homens e mulheres e pela vontade de servi-los.

    Saúdo todos(as) vocês em Cristo Jesus missionário.

    Alfredo Monteiro

    consagração como missionário, sabendo que vale a pena deixar tudo para seguir os passos de Jesus libertador, vale a pena consagrar a vida a serviço do outro… que é possível deixar a minha cultura e meu país para servir, viver e aprender em uma cultura diferente, não por aventura ou curiosidade de conhecer, mas sobretudo por amor ao projeto de Deus para todos os homens e mulheres e pela vontade de servi-los. Saúdo todos vocês em Cristo Jesus missionário
  • Korogocho, Nairobi: Opção pelos pobres e marginalizados

    O Quênia é um país da África Oriental, com uma população total em torno de 45 milhões de habitantes. Sua costa é banhada pelo Oceano Indico, tem belas praias e lá fica também o famoso Kilimanjaro.

    No Quênia, há aproximadamente 1,3 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS. Neste momento, o Quênia é caracterizado por uma elevada taxa de HIV, infecções, doenças e mortes. Korogocho é uma das maiores favelas na cidade de Nairóbi, Quênia, com uma população de aproximadamente 160 mil pessoas que vivem na parte nordeste da cidade. De acordo com a nomenclatura cultural Kikuyu, o nome Korogocho significa "confusão".

    ricardo em Nairobi, Korogocho; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço, hiv, aids

    As pessoas convivendo com HIV/AIDS são os mais pobres e abandonados. Isto é o que eu vi em Korogocho no meu trabalho pastoral nesta região. Senti-me desafiado porque vi muitas pessoas com HIV/AIDS e eu não podia fazer nada por elas. Quando eu era capaz de me expressar em Kiswahili, enfrentei outro desafio: como fazer para dizer às pessoas convivendo HIV/AIDS que Deus as ama? Claro que esta pergunta me levou a aproximar-me mais delas.

    ricardo em Nairobi, Korogocho; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço, hiv, aids, escola, jovens, aulas

    Com pouca infraestrutura, poucos recursos, superlotação e proximidade com o lixão, a saúde em Korogocho é também precária. Percebe-se também que, devido ao elevado nível de pobreza e más condições de vida, a maioria dos residentes tende a envolver-se nas drogas, tais como alcoolismo, cheirar “cola”, uso de maconha, etc. De acordo com os programas formais que cuidam das pessoas que vivem com HIV/AIDS em Korogocho, a percentagem estimada de pessoas infectadas pelo HIV é de 16%.

    Pobreza da infraestrutura, várias doenças crônicas e infecciosas, marginalização e pobreza extrema em Korogocho são fatores que explicam as condições miseráveis em que o povo tem que viver. Certamente, a igreja tem influenciado e transformado a vida das pessoas através da sua intervenção social nesta realidade. É inegável que os programas sociais coordenados pelos missionários/as Combonianos/as e outras congregações religiosas, ajudam a melhorar a situação de vida do povo, através de cuidados médicos e de projetos sociais.

    Um grande número de pessoas vivendo com HIV/AIDS sofre estigma e rejeição e, independentemente do que se diga, suas feridas sempre estarão presentes. Acima de tudo, no entanto, um dos maiores desafios nesta região é como superar o estigma social profundamente enraizado entre as vítimas, o que fez com que a maioria deles perdessem seus direitos e dignidade humana. Sem dúvida, o maior desafio em Korogocho é a exclusão social. Por isso, somos convidados a ser bons samaritanos para todos os necessitados (Lc 10,24-37).

    ricardo em Nairobi, Korogocho; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço, hiv, aids, escola, jovens, aulas

    Ricardo Borges, comboniano em formação

    Fotos: Arquivo Comboniano

  • Que significa o Natal de Jesus? Mais fé e amor no Amazonas

    “Avance para águas mais profundas” (Lc 5, 1)

    “Andamos por terras nunca sonhadas e caminhos jamais percorridos”. Essa foi a experiência vivida pelos Jovens missionários combonianos (JMC) no Natal Missionário 2016. Estávamos em quatorze pessoas que procuravam a cada dia “avançar para águas mais profundas” e posso garantir que avançamos.

    arte dos jovens missionários combonianos no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço, JMC
    jovens missionários combonianos no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Chegamos nas terras da transamazônica para vivenciar com aquelas famílias o verdadeiro sentido do natal, o nascimento do menino Jesus que vem para entrar nas nossas vidas através dos nossos irmãos que encontramos ao longo do caminho. Somos chamados a ser cooperadores de Deus na sua obra, ou seja na sua missão, na qual podemos manifestar a sua misericórdia às pessoas, às famílias e às comunidades. Deus nos concede a graça para que possamos seguir Jesus Cristo, e para segui-lo temos que sair do nosso comodismo e andar por terras jamais sonhadas.

    crianças da IAM, durante a novena do natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). E foi assim, os jovens missionários combonianos saíram de suas casas para uma terra sonhada por poucos e amada por muitos. Terra de gente sonhadora, lutadora, gente de fé, mas também uma terra de grandes desafios. No caminho, paramos em algumas comunidades indígenas para conhecer um pouco da cultura de cada uma delas e foi muito gratificante, conhecemos gente simples com muitas histórias para contar. Nos acolheram com tudo que eles tinham de melhor. Durante quatro dias, pudemos conhecer um pouco a realidade daquele lugar.

    Vimos nas famílias que nos acolheram uma grande felicidade em nos receber em suas casas e partilhar conosco suas vidas, alegrias e tristezas. Em algumas famílias visitadas, pudemos ver que são acolhedoras e que, apesar das dificuldades encontradas no dia a dia, têm sempre Deus em primeiro lugar e são pessoas de muita fé. Também encontramos dificuldades em falar de Jesus em alguns lugares. “ Ide sem medo, para servir”. Somos convidados a sair sem medo, levar Jesus Cristo a todos os povos, pois Ele sempre estará conosco e nunca nos abandonará.

    Deixem que as crianças venham a mim, porque o Reino de Deus pertence àqueles que são semelhantes a uma criança

    jovens missionários combonianos no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Em meio a tantos desafios encontrados pelo caminho, ao chegar na comunidade de Santa Luzia, nos deparamos com duas crianças que chegavam para fazer aula de violão com a irmã Jusi, missionária comboniana que realiza um trabalho muito lindo com as crianças daquela região.

    crianças da IAM, durante a novena do natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Conhecemos então, o grupo da IAM (infância e adolescência missionária). Crianças que pelo batismo, vivem a experiência da partilha da fé e dos bens com todas as crianças do mundo. Podemos aprender muito com aquelas ‘pessoinhas’ que nos ensinaram que, faça chuva ou faça sol, Deus está sempre em primeiro lugar em nossas vidas. Vivenciaram a semana em preparação ao natal com muita fé, solidariedade, animação, amor e oração. Saíam pelas ruas batendo latas, tampas de panelas, rezando e cantando para que todos soubessem que o menino Jesus estava para chegar.

    crianças da IAM, durante a novena do natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    A cada dia faziam a novena de natal na casa de uma criança e assim foram os nove dias, partilhando o evangelho, conhecendo a família de cada uma e fortalecendo cada vez mais a fé em Jesus Cristo. Verdadeiros missionários e anunciadores do Reino de Deus. Foi realmente uma experiência esplêndida.

    “É bonito sonhar de tornar feliz a humanidade inteira. Não é impossível...” (Pe. Ezequiel Ramin)

    A nossa felicidade está em servir, em especial aos mais pobres e necessitados. Somos jovens missionários combonianos que saímos do nosso comodismo para caminhar estradas nunca sonhadas.

    “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (papa Francisco).

    Procuramos dia após dia ser essa Igreja em saída, servindo aqueles que são os mais excluídos aos olhos da sociedade. Vivendo no mundo do relativismo e consumismo onde tudo se torna líquido que perde sua solidez com facilidade, temos como seguimento o testemunho de Jesus e esse testemunho nos faz mergulhar e assumir o discernimento para a missão com a graça do Espírito Santo.

    Padre Ezequiel Ramin, assassinado em Cacoal, Rondonia, em 1985; pobres, jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço, JMC
    jovens missionários combonianos no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Somos chamados e consagrados para a missão, sendo testemunhas do Evangelho, procurando viver em comunhão com Jesus e assim a nossa vida pode ser doada e entregue aos irmãos mais necessitados. É no mais pobre que encontramos a alegria do Evangelho. Alegria essa que sentimos quando ouvimos o ressoar da voz de Deus, que nos convida e envia para ir ao encontro do outro. Assim como São Daniel e o jovem missionário padre Ezequiel Ramin se doaram aos pobres e aos mais esquecidos, nós também procuramos seguir esses testemunhos de vida e doação, tendo sempre Jesus como centro de nossas vidas e procurando ‘salvar o jovem com o jovem”.

    “Coragem no presente, mas sobretudo no futuro. Eu morro, mas a minha obra não morrerá! (S. Daniel Comboni)

    Comboni nos deixa uma grande família de missionários e acima e tudo um belo testemunho de vida e doação. Todos nós JMC somos mais uma prova de que sua obra não morreu e não morrerá; uma semente plantada por um jovem missionário comboniano, padre Rafael Vígolo, “uma bomba de provocação para a juventude” (Pe. Alcides) através do seu trabalho missionário e vocacional.

    Padre rafael vigolo com crianças no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    De fato, seu serviço missionário nos fez avançar para águas mais profundas e sermos anunciadores da Boa Nova fazendo com que outros jovens sintam o chamado de Deus para a missão. Chegou aqui nessas terras de Rondônia, onde a juventude sonha com uma Igreja em saída. Padre Rafael consegue ver nos jovens algo que poucos veem, a capacidade, a coragem, a força, a fé e a audácia de ir muito mais além. Com ele podemos avançar para águas mais profundas, pois se queremos “grandes peixes” não devemos pescar em águas rasas. Somos gratos por seu SIM ao serviço missionário e por ter nos proporcionado uma experiência de vida e missão que nos motiva e nos faz querer sempre ir...

    Padre rafael vigolo, Ir Jusi e Sarah Santos (autora deste artigo) no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Gratidão a Deus que nos encoraja e nos dá força para continuar na missão. Gratidão à família comboniana e, em especial, às irmãs Chiara Dusi e Elisabeth Imperial, que nos acompanham e nos incentivam na missão em Porto Velho, às irmãs Jusi, Rosi e Luisa que nos acolheram com tanta alegria nesses dias de experiência. E gratidão ao padre Rafael, que vai servir em outras terras, mas que soube plantar as sementes em terra boa. Obrigada por confiar nos jovens e tenha certeza que essas sementes darão bons frutos.

    Sarah Santos, JMC
    Santo António do Matupi-Km 180-Transamazônica

    Fotos: Arquivo Comboniano

  • O que adia a paz?

    Olá, como estão? Espero que você, sua família e comunidade estejam bem. Estou bem, graças a Deus, embora estive meio adoentado no mês passado, mas agora já estou em boa forma. No Sudão do Sul estamos em plena estação seca enfrentando muita poeira e calor. Mas isso é quase nada comparado com os problemas relacionados aos três anos de conflitos que o povo enfrenta nessa jovem e dividida nação.

    Início do Ano

    Esse ano começou bem, em relativa paz. Porém, infelizmente nos últimos dez dias, tem havido conflitos armados em algumas regiões. Na semana passada houve confrontos entre as forças do exército e a oposição armada (rebeldes) em Malakal, uma das regiões mais afetadas pela guerra. Há informações de que mais de 25 civis foram mortos e o número pode ser bem maior. Não se sabe quantos militares perderam a vida. Muita gente teve que fugir e o acesso para as ajudas humanitárias ficou mais difícil ainda.


    Houve conflitos também nos arredores de Wau e tem havido saques nas residências dessa cidade. Durante o dia muita gente vai para suas casas, mas passa a noite acampada nas bases da ONU ou no pátio da catedral. São milhares nestas condições


    A região de Equatória

    Continuam os conflitos também na região de Equatória (Yei, Yambio e Kajo-Keji), próximo à fronteira com Uganda e o Congo. A população dessa área continua a deixar o país e se refugiar nos países vizinhos. Muita gente caminha por dias e noites pelo mato por medo do exército e dos rebeldes que bloqueiam as estradas. Tem havido muita morte de civis, mulheres violentadas, saques, roubo de gado e outros bens e casas e povoados queimados. Os mais pessimistas chegam a falar em potencial genocídio.


    Em Kajo-Keji temos uma missão comboniana e era um dos lugares mais pacíficos do país com muitas escolas de referência nacional funcionando. Há informações de que os rebeldes estão nessa área. Testemunhas afirmam que na manhã de domingo, dia 21 de janeiro, um grupo de soldados do governo chegou a uma capela onde os cristãos realizavam o culto dominical. Teriam dito que procuravam por rebeldes. O povo assustado saiu da capela e começou a correr. Os militares atiraram e mataram seis pessoas, inclusive o catequista e liderança da comunidade. Eram civis inocentes que estavam rezando.


    Isso provocou mais medo e pânico. A população começou a deixar a região num êxodo em massa, cerca de 90% da população de Kajo-Keji se tornou refugiada em Uganda. As escolas fecharam. A agência para refugiados da ONU informa que mais de 52.600 pessoas se refugiaram em Uganda, só em janeiro, chegando a quase 700.000 refugiados, a maioria mulheres e crianças.

    A paróquia do Sagrado Coração de Jesus, coordenada pelos combonianos em Kajo-Keji, vai celebrar a missa deste domingo e fechar a igreja porque o povo já deixou a região. Na última missa participaram apenas 21 pessoas, nenhuma mulher ou criança. Os missionários passarão a acompanhar a população refugiada no outro lado da fronteira, na Uganda, oferecendo assistência pastoral.


    Na capital Juba

    Juba, a capital, segue em relativa paz. O ambiente está calmo. A cidade conta com um grande contingente de soldados. Os rebeldes não ousariam atacar Juba. No entanto, o povo sofre com a carestia e incerteza sobre o futuro. O governo segue falando em ‘diálogo nacional’ para a paz, mas ainda não se vê resultados positivos. Espera-se que as igrejas possam contribuir no processo de paz e reconciliação, o que, aliás, já estão fazendo. Há expectativas de uma visita do Papa Francisco ao Sudão do Sul nesse ano e a esperança de que sua presença possa contribuir ainda mais com o processo de paz e reconciliação.


    Missão comboniana no Sudão do Sul

    Em janeiro realizamos a assembleia anual dos missionários combonianos. Foi um momento muito bonito de comunhão, oração e partilha da vida missionária, das dores e alegrias do nosso povo nesse ambiente hostil e incerto. Foi também um momento de reafirmar nosso compromisso missionário pelo Reino de Deus nessa em terras sul-sudanesas para os próximos seis anos.

    Esse é um ano muito especial para nós Combonianos, sobretudo os presentes no Sudão e Sudão do Sul. Celebramos os 150 anos de fundação do Instituto Comboniano para as missões (fundado em Verona por Daniel Comboni no dia 1 de junho de 1867). Comboni amou carinhosamente o povo africano, sobretudo os sudaneses, e não mediu esforços para que esse povo experimentasse a alegria do Evangelho e vivesse com mais dignidade. Seguimos adiante com a missão que Deus e Daniel Comboni nos confiaram, procurando sermos sinais de vida e esperança no meio desse povo sofrido.


    Nossa Fé e nossa Esperança

    Neste dia 8 de fevereiro é a festa de Santa Josefina Bakhita, mulher sudanesa que foi traficada e escravizada. Ela foi declarada santa por São João Paulo II em 2000 e é a padroeira do Sudão. Em 2015 o Papa Francisco declarou o dia da memória dessa santa como ‘Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas’. Peçamos, pois, a intercessão de São Daniel Comboni e Santa Josefina Bakhita pela paz, justiça e reconciliação no Sudão e Sudão do Sul. Contamos sempre com as orações e apoio de todos vocês. Deus seja louvado e nós não desamparados.


    Pe. Raimundo Rocha, comboniano no Sudão do Sul

  • Carajás: o testemunho de um comboniano na maior mina de ferro do mundo.

    No interior do Estado do Maranhão, na divisa com o Pará, se encontra a maior mina de ferro do mundo, a mina de Carajás.

    A extração desse minério provoca danos seja sociais, seja ambientais. Ao longo do corredor de Carajás, por onde escorre a produção, trabalha o sacerdote italiano Dario Bossi, missionário comboniano, que atua em defesa do direito socioambiental, em especial na assessoria das comunidades que são atingidas pelo ciclo de mineração e siderurgia.

    Pe. Dario se encontra em Brasília, participando do encontro para a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica. Em entrevista ao nosso enviado Jackson Erpen, Pe. Dario fala inicialmente de sua missão junto às comunidades locais.

    Padre Dario, missionário comboniano trabalhando junto da maior mina de ferro do mundo; carajás, direito, justiça, poluição, minerio, mineral

    Ouça o testemunho:

    Pe. Dario Bossi, comboniano

Assine nossa Newsletter

Receba nossas notícias, basta preencher os campos abaixo:

Nos conte o seu nome :)
Email invalido
Invalid Input

Contato

    +55 (11) 3721-8733 | +55(11) 97956-8317
    Rua José Rubens, 15 | São Paulo - SP - Brasil
    combonianos@brcomboni.org.br

Visite-nos em