Diário da Missão

  • Que significa o Natal de Jesus? Mais fé e amor no Amazonas

    “Avance para águas mais profundas” (Lc 5, 1)

    “Andamos por terras nunca sonhadas e caminhos jamais percorridos”. Essa foi a experiência vivida pelos Jovens missionários combonianos (JMC) no Natal Missionário 2016. Estávamos em quatorze pessoas que procuravam a cada dia “avançar para águas mais profundas” e posso garantir que avançamos.

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    jovens missionários combonianos no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Chegamos nas terras da transamazônica para vivenciar com aquelas famílias o verdadeiro sentido do natal, o nascimento do menino Jesus que vem para entrar nas nossas vidas através dos nossos irmãos que encontramos ao longo do caminho. Somos chamados a ser cooperadores de Deus na sua obra, ou seja na sua missão, na qual podemos manifestar a sua misericórdia às pessoas, às famílias e às comunidades. Deus nos concede a graça para que possamos seguir Jesus Cristo, e para segui-lo temos que sair do nosso comodismo e andar por terras jamais sonhadas.

    crianças da IAM, durante a novena do natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). E foi assim, os jovens missionários combonianos saíram de suas casas para uma terra sonhada por poucos e amada por muitos. Terra de gente sonhadora, lutadora, gente de fé, mas também uma terra de grandes desafios. No caminho, paramos em algumas comunidades indígenas para conhecer um pouco da cultura de cada uma delas e foi muito gratificante, conhecemos gente simples com muitas histórias para contar. Nos acolheram com tudo que eles tinham de melhor. Durante quatro dias, pudemos conhecer um pouco a realidade daquele lugar.

    Vimos nas famílias que nos acolheram uma grande felicidade em nos receber em suas casas e partilhar conosco suas vidas, alegrias e tristezas. Em algumas famílias visitadas, pudemos ver que são acolhedoras e que, apesar das dificuldades encontradas no dia a dia, têm sempre Deus em primeiro lugar e são pessoas de muita fé. Também encontramos dificuldades em falar de Jesus em alguns lugares. “ Ide sem medo, para servir”. Somos convidados a sair sem medo, levar Jesus Cristo a todos os povos, pois Ele sempre estará conosco e nunca nos abandonará.

    Deixem que as crianças venham a mim, porque o Reino de Deus pertence àqueles que são semelhantes a uma criança

    jovens missionários combonianos no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Em meio a tantos desafios encontrados pelo caminho, ao chegar na comunidade de Santa Luzia, nos deparamos com duas crianças que chegavam para fazer aula de violão com a irmã Jusi, missionária comboniana que realiza um trabalho muito lindo com as crianças daquela região.

    crianças da IAM, durante a novena do natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Conhecemos então, o grupo da IAM (infância e adolescência missionária). Crianças que pelo batismo, vivem a experiência da partilha da fé e dos bens com todas as crianças do mundo. Podemos aprender muito com aquelas ‘pessoinhas’ que nos ensinaram que, faça chuva ou faça sol, Deus está sempre em primeiro lugar em nossas vidas. Vivenciaram a semana em preparação ao natal com muita fé, solidariedade, animação, amor e oração. Saíam pelas ruas batendo latas, tampas de panelas, rezando e cantando para que todos soubessem que o menino Jesus estava para chegar.

    crianças da IAM, durante a novena do natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço

    A cada dia faziam a novena de natal na casa de uma criança e assim foram os nove dias, partilhando o evangelho, conhecendo a família de cada uma e fortalecendo cada vez mais a fé em Jesus Cristo. Verdadeiros missionários e anunciadores do Reino de Deus. Foi realmente uma experiência esplêndida.

    “É bonito sonhar de tornar feliz a humanidade inteira. Não é impossível...” (Pe. Ezequiel Ramin)

    A nossa felicidade está em servir, em especial aos mais pobres e necessitados. Somos jovens missionários combonianos que saímos do nosso comodismo para caminhar estradas nunca sonhadas.

    “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (papa Francisco).

    Procuramos dia após dia ser essa Igreja em saída, servindo aqueles que são os mais excluídos aos olhos da sociedade. Vivendo no mundo do relativismo e consumismo onde tudo se torna líquido que perde sua solidez com facilidade, temos como seguimento o testemunho de Jesus e esse testemunho nos faz mergulhar e assumir o discernimento para a missão com a graça do Espírito Santo.

    Padre Ezequiel Ramin, assassinado em Cacoal, Rondonia, em 1985; pobres, jesus, amor, comunidade, Deus, indigenas, direito, justiça, vocaçao, serviço, JMC
    jovens missionários combonianos no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Somos chamados e consagrados para a missão, sendo testemunhas do Evangelho, procurando viver em comunhão com Jesus e assim a nossa vida pode ser doada e entregue aos irmãos mais necessitados. É no mais pobre que encontramos a alegria do Evangelho. Alegria essa que sentimos quando ouvimos o ressoar da voz de Deus, que nos convida e envia para ir ao encontro do outro. Assim como São Daniel e o jovem missionário padre Ezequiel Ramin se doaram aos pobres e aos mais esquecidos, nós também procuramos seguir esses testemunhos de vida e doação, tendo sempre Jesus como centro de nossas vidas e procurando ‘salvar o jovem com o jovem”.

    “Coragem no presente, mas sobretudo no futuro. Eu morro, mas a minha obra não morrerá! (S. Daniel Comboni)

    Comboni nos deixa uma grande família de missionários e acima e tudo um belo testemunho de vida e doação. Todos nós JMC somos mais uma prova de que sua obra não morreu e não morrerá; uma semente plantada por um jovem missionário comboniano, padre Rafael Vígolo, “uma bomba de provocação para a juventude” (Pe. Alcides) através do seu trabalho missionário e vocacional.

    Padre rafael vigolo com crianças no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    De fato, seu serviço missionário nos fez avançar para águas mais profundas e sermos anunciadores da Boa Nova fazendo com que outros jovens sintam o chamado de Deus para a missão. Chegou aqui nessas terras de Rondônia, onde a juventude sonha com uma Igreja em saída. Padre Rafael consegue ver nos jovens algo que poucos veem, a capacidade, a coragem, a força, a fé e a audácia de ir muito mais além. Com ele podemos avançar para águas mais profundas, pois se queremos “grandes peixes” não devemos pescar em águas rasas. Somos gratos por seu SIM ao serviço missionário e por ter nos proporcionado uma experiência de vida e missão que nos motiva e nos faz querer sempre ir...

    Padre rafael vigolo, Ir Jusi e Sarah Santos (autora deste artigo) no natal missionário em Santo António do Matupi, amazonia, juntamente com indígenas; pobres, Jesus, amor, comunidade, Deus, direito, justiça, vocaçao, serviço

    Gratidão a Deus que nos encoraja e nos dá força para continuar na missão. Gratidão à família comboniana e, em especial, às irmãs Chiara Dusi e Elisabeth Imperial, que nos acompanham e nos incentivam na missão em Porto Velho, às irmãs Jusi, Rosi e Luisa que nos acolheram com tanta alegria nesses dias de experiência. E gratidão ao padre Rafael, que vai servir em outras terras, mas que soube plantar as sementes em terra boa. Obrigada por confiar nos jovens e tenha certeza que essas sementes darão bons frutos.

    Sarah Santos, JMC
    Santo António do Matupi-Km 180-Transamazônica

    Fotos: Arquivo Comboniano

  • O que adia a paz?

    Olá, como estão? Espero que você, sua família e comunidade estejam bem. Estou bem, graças a Deus, embora estive meio adoentado no mês passado, mas agora já estou em boa forma. No Sudão do Sul estamos em plena estação seca enfrentando muita poeira e calor. Mas isso é quase nada comparado com os problemas relacionados aos três anos de conflitos que o povo enfrenta nessa jovem e dividida nação.

    Início do Ano

    Esse ano começou bem, em relativa paz. Porém, infelizmente nos últimos dez dias, tem havido conflitos armados em algumas regiões. Na semana passada houve confrontos entre as forças do exército e a oposição armada (rebeldes) em Malakal, uma das regiões mais afetadas pela guerra. Há informações de que mais de 25 civis foram mortos e o número pode ser bem maior. Não se sabe quantos militares perderam a vida. Muita gente teve que fugir e o acesso para as ajudas humanitárias ficou mais difícil ainda.


    Houve conflitos também nos arredores de Wau e tem havido saques nas residências dessa cidade. Durante o dia muita gente vai para suas casas, mas passa a noite acampada nas bases da ONU ou no pátio da catedral. São milhares nestas condições


    A região de Equatória

    Continuam os conflitos também na região de Equatória (Yei, Yambio e Kajo-Keji), próximo à fronteira com Uganda e o Congo. A população dessa área continua a deixar o país e se refugiar nos países vizinhos. Muita gente caminha por dias e noites pelo mato por medo do exército e dos rebeldes que bloqueiam as estradas. Tem havido muita morte de civis, mulheres violentadas, saques, roubo de gado e outros bens e casas e povoados queimados. Os mais pessimistas chegam a falar em potencial genocídio.


    Em Kajo-Keji temos uma missão comboniana e era um dos lugares mais pacíficos do país com muitas escolas de referência nacional funcionando. Há informações de que os rebeldes estão nessa área. Testemunhas afirmam que na manhã de domingo, dia 21 de janeiro, um grupo de soldados do governo chegou a uma capela onde os cristãos realizavam o culto dominical. Teriam dito que procuravam por rebeldes. O povo assustado saiu da capela e começou a correr. Os militares atiraram e mataram seis pessoas, inclusive o catequista e liderança da comunidade. Eram civis inocentes que estavam rezando.


    Isso provocou mais medo e pânico. A população começou a deixar a região num êxodo em massa, cerca de 90% da população de Kajo-Keji se tornou refugiada em Uganda. As escolas fecharam. A agência para refugiados da ONU informa que mais de 52.600 pessoas se refugiaram em Uganda, só em janeiro, chegando a quase 700.000 refugiados, a maioria mulheres e crianças.

    A paróquia do Sagrado Coração de Jesus, coordenada pelos combonianos em Kajo-Keji, vai celebrar a missa deste domingo e fechar a igreja porque o povo já deixou a região. Na última missa participaram apenas 21 pessoas, nenhuma mulher ou criança. Os missionários passarão a acompanhar a população refugiada no outro lado da fronteira, na Uganda, oferecendo assistência pastoral.


    Na capital Juba

    Juba, a capital, segue em relativa paz. O ambiente está calmo. A cidade conta com um grande contingente de soldados. Os rebeldes não ousariam atacar Juba. No entanto, o povo sofre com a carestia e incerteza sobre o futuro. O governo segue falando em ‘diálogo nacional’ para a paz, mas ainda não se vê resultados positivos. Espera-se que as igrejas possam contribuir no processo de paz e reconciliação, o que, aliás, já estão fazendo. Há expectativas de uma visita do Papa Francisco ao Sudão do Sul nesse ano e a esperança de que sua presença possa contribuir ainda mais com o processo de paz e reconciliação.


    Missão comboniana no Sudão do Sul

    Em janeiro realizamos a assembleia anual dos missionários combonianos. Foi um momento muito bonito de comunhão, oração e partilha da vida missionária, das dores e alegrias do nosso povo nesse ambiente hostil e incerto. Foi também um momento de reafirmar nosso compromisso missionário pelo Reino de Deus nessa em terras sul-sudanesas para os próximos seis anos.

    Esse é um ano muito especial para nós Combonianos, sobretudo os presentes no Sudão e Sudão do Sul. Celebramos os 150 anos de fundação do Instituto Comboniano para as missões (fundado em Verona por Daniel Comboni no dia 1 de junho de 1867). Comboni amou carinhosamente o povo africano, sobretudo os sudaneses, e não mediu esforços para que esse povo experimentasse a alegria do Evangelho e vivesse com mais dignidade. Seguimos adiante com a missão que Deus e Daniel Comboni nos confiaram, procurando sermos sinais de vida e esperança no meio desse povo sofrido.


    Nossa Fé e nossa Esperança

    Neste dia 8 de fevereiro é a festa de Santa Josefina Bakhita, mulher sudanesa que foi traficada e escravizada. Ela foi declarada santa por São João Paulo II em 2000 e é a padroeira do Sudão. Em 2015 o Papa Francisco declarou o dia da memória dessa santa como ‘Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas’. Peçamos, pois, a intercessão de São Daniel Comboni e Santa Josefina Bakhita pela paz, justiça e reconciliação no Sudão e Sudão do Sul. Contamos sempre com as orações e apoio de todos vocês. Deus seja louvado e nós não desamparados.


    Pe. Raimundo Rocha, comboniano no Sudão do Sul

  • Um dia normal na cidade

    Vista panorâmica da cidade onde reina o anonimato e predominam pessoas ausentes

    Umas semanas atrás fui convidado para participar de umas santas missões populares em Vitória, ES. Um dia antes de concluir as atividades eu pensava o quanto foi de gratificante essa semana, as amizades que tinha conquistado, os jovens que se tinham cativado pela vocação comboniana, as famílias celebrando juntas, as comunidades-irmãs trabalhando em unidade, era realmente uma sensação de pentecostes. Todos eram um como diz Jesus “Eu e o Pai somos Um”. Eu me sentia pleno pelo fato de ter feito apenas o que me correspondia fazer. Quase sempre me lembro daquilo que nosso Pai e fundador Daniel Comboni sempre lembrava a seus missionários: “Somos servos inúteis que fizemos o que tínhamos que fazer”.

    Tanta mostra de carinho do povo me fazia sentir um “irmão” da gente. E, embora ainda não tivesse partido para retornar à casa eu já estava sentindo saudades antecipadas; eu acho que podem passar muitos anos de vida missionária e a gente nunca vai se acostumar com as despedidas, mas sempre é necessário partir.

    Vista panorâmica da cidade onde reina o anonimato e predominam pessoas ausentes

    Eu partia rumo à casa, mas eu me sentia já cansado pois sabia que a viagem ia ser muito cansativa. Porém, quando chegou à cidade “à grande Metrópole” olho outra realidade. Um barulho excessivo, gente correndo, pessoas ausentes e me perguntava; cadê as pessoas simples e calorosas que acabei de deixar? E no meio dessas situações, cada uma particular, eu comecei a observar uma mãe com sua filha brincando, entraram no mesmo metrô que eu. Porém, comecei a experimentar certa irritabilidade com a criança e com a mãe. A menina linda queria correr dentro do metro, quase vazio, e a mãe não permitia quase que obrigando ela a ficar no colo, e ela chorava e tentava escapulir da mãe sem obter resultados. E ficava pensando o seguinte: Quantas vezes a gente quer se revelar e quer fazer coisas que achamos que estão certas na vida sem pensar nas consequências, até parecendo como aquela criança querendo tentar fugir da mãe, em nosso caso querendo sair do colo de Deus. A mãe sabe que, se ela deixasse a filha à vontae, ia se dar mal e iria talvez sofrer um acidente. Nós também muitas vezes não pensamos nas consequências dos nossos atos e muitas vezes Deus sempre está aí para nos proteger. O mais lindo foi que a mãe para poder controlar a rebeldia da filha lhe apresentou outra opção: dar o peito pra ela poder mamar. Só assim ela ficou quieta e nos braços da mãe.

    Vista panorâmica da cidade onde reina o anonimato e predominam pessoas ausentes

    Aí compreendi que a cidade por mais barulhenta pode nos oferecer a oportunidade de poder ver e escutar Deus. Para escutar e ver a presença de Deus em nossa vida muitas vezes é necessário é abrir bem os olhos da alma e os ouvidos do coração para perceber a “Páscoa de Deus” quer dizer a passagem salvífica de Deus em nossa vida.

    Pe. Pablo Torres, comboniano

  • Carajás: o testemunho de um comboniano na maior mina de ferro do mundo.

    No interior do Estado do Maranhão, na divisa com o Pará, se encontra a maior mina de ferro do mundo, a mina de Carajás.

    A extração desse minério provoca danos seja sociais, seja ambientais. Ao longo do corredor de Carajás, por onde escorre a produção, trabalha o sacerdote italiano Dario Bossi, missionário comboniano, que atua em defesa do direito socioambiental, em especial na assessoria das comunidades que são atingidas pelo ciclo de mineração e siderurgia.

    Pe. Dario se encontra em Brasília, participando do encontro para a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica. Em entrevista ao nosso enviado Jackson Erpen, Pe. Dario fala inicialmente de sua missão junto às comunidades locais.

    Padre Dario, missionário comboniano trabalhando junto da maior mina de ferro do mundo; carajás, direito, justiça, poluição, minerio, mineral

    Ouça o testemunho:

    Pe. Dario Bossi, comboniano

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