Prioridade evangelização e afrodescententes

Herdeiros do carisma missionário de Sao Daniel Comboni, que dedicou a sua vida para que os povos da Africa tivessem vida em abundancia, os Missionarios Combonianos no Brasil tem como uma das prioridades de evangelização os povos afrodescendentes, comprometendo-se a causa afro, sobretudo, através da comunidade comboniana de Salvador, onde funciona o CENPAH

(Centro de Pastoral Afro Heitor Frisotti) que é um espaço de agregação de diversas iniciativas, no âmbito cultural, inter-religioso, de luta contra o racismo, para a igualdade e a promoção dos DDHH, valorizando a iniciativa dos leigos/as, acompanhando e assessorando os diversos processos propostos nessa dimensões.

A seguir, apresentamos um pouco da história do trabalho que foi realizado pelos Missionarios Combonianos em Salvador na dimensão EVANGELIZAÇÃO e AFRODESCENDENTES.

Presença missionária comboniana em Salvador

A presença comboniana em Salvador, BA, começou em março de 1980 com os Padres Franco Vialetto e João Munari assumindo duas paróquias em dois bairros periféricos densamente povoados com cerca de 70 mil habitantes na maioria afrodescendentes, provenientes do êxodo rural causado pelas situações de precariedade e pobreza dos interiores da Bahia.

Em Outubro de 1981, no centenário da morte do fundador Daniel Comboni, foi assinado o primeiro convênio com a Arquidiocese de São Salvador da Bahia, no qual o Instituto dos Combonianos destinaria uma equipe de 3 sacerdotes, que juntamente aos compromissos pastorais nas 2 paróquias, assumiriam também o "dedicar parte do seu tempo ao estudo das temáticas da vida dos afro-brasileiros" para servir melhor o povo na maioria negros e também ajudar os demais Combonianos presentes no Brasil na reflexão de uma pastoral evangelizadora inculturada! A equipe de missionários soube integrar o estudo das temáticas em relação à vida dos afro brasileiros através da prática pastoral, na reflexão biblica, nas liturgias inculturadas e sobretudo no diálogo inter religioso com as religiões de matriz africana! Nesta linha, se destacou a atividade missionária de Padre Heitor Frisotti, que visitava os terreiros, onde era estimado e conhecido em toda a cidade de Salvador.

Com o crescimento demográfico nestes bairros, foi vista a necessidade de entregar uma parte da paróquia de Pau da Lima. Em 1998, foi constituída a Paróquia dedicada a S. Daniel Comboni abrangendo os bairros da grande Sussuarana com a necessidade de estruturar melhor a vida pastoral das 11 comunidades. A comunidade Comboniana, além do cuidado pastoral, catequese, preparação sacramental, liturgia, movimentos sociais, deveria colaborar com a Arquidiocese no surgimento e acompanhamento das Cebs, favorecendo a formação de líderes cristãos no meio popular tanto a nível religioso quanto social e engajando em pastorais especificas (juventude, menores, afro ...)!

Viver em compromisso de solidariedade com a população afro, que em Salvador constitui cerca de 75% e que nos bairros de periferia pode chegar de 85% a 90%, enfrentando os problemas provindos da marginalização dos negros pela sociedade elitista, aprofundando os estudos bíblicos, teológicos e pastorais numa aproximação à vida, à cultura e religiões de matriz africana para um autêntico diálogo inter religioso e uma inculturação do Evangelho.

Depois do falecimento do padre Heitor, foi amadurecendo a necessidade de se ter um Centro de Pastoral Afro. Os Padres Ferdinando e Fidele, dedicados mais especificamente aos trabalhos e estudos da pastoral Afro, fundaram a casa do Cenpah (Centro de Pastoral Afro Heitor Frisotti) e ajudaram a nascer a Pastoral Afro na Arquidiocese de Salvador. Com a realização do VIII EPA (Encontro de Pastoral Afro a nível do Continente Americano) a linha de trabalho foi a formação dos APNs nas Dioceses e paróquias, a organização do CAAPA (Centro de Pastoral Afro da Arquidiocese).

O Cenpah, com a riqueza de livros deixados por Heitor, formou uma Biblioteca que leva o seu nome. No mesmo Cenpah foi criado o Salão Santa Bakita e a aposta foi na questão educacional, oferecendo aos jovens negros da periferia a possibilidade de se prepararem para o vestibular e assim poderem ingressar no ensino superior. Nesta linha social não foi esquecida a oferta de cursinhos e oficinas de cultura afro para lideranças das comunidades e a capacitação étnica para professores das escolas. O desenvolvimento do Cenpah foi ainda na linha cultural e na aposta literária, dando vez e voz aos Jovens. Por meio da poesia são abordadas as problemáticas da vida, da história, da cultura, da religião e da sociedade que tanto descriminalizaram o povo negro, em vista da superação.

Tem-se apostado na questão histórica e racial por meio de curso de Direitos Humanos e Racismo. Também tem-se desenvolvido um trabalho de defesa e promoção da vida e dos Direitos Humanos pela criação da Instituição Cedhu (Centro de Direitos Humanos Pe. Franco Pelegrini) que funciona no Cenpah.

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