Na foto: Padre Ezequiel Ramin, em uma celebração com trabalhadores rurais em Cacoal, Rondônia.
Os combonianos chegaram a Rondônia em 1974.
O grupo, todo italiano, vinha do Espírito Santo, para responder a um desejo da congregação de se abrir para além das fronteiras do norte capixaba e ao apelo da CNBB que solicitava a ajuda de grupos religiosos para as urgências missionárias do Brasil. A região amazônica era uma das indicadas. Depois de uma rápida exploração para sondar as possibilidades, um grupo de quatro padres foi enviado a Rondônia. Eram eles: Fiovo Camaioni, Ludovico Bonomi, ir. Xillo, aos quais, poucos dias mais tarde, se juntou Franco Vialetto.
Chegaram a Vila de Rondônia, atual Ji-Paraná, onde aguardaram alguns dias para poderem entrar em Ouro Preto, o lugar que lhes parecia mais indicado para o trabalho que estavam iniciando. Era lá que havia sido iniciado, em 1970, o Projeto Integrado de Colonização de Ouro Preto. Imaginava-se que a cidade se tornaria o centro propulsor de toda a região. Não passava de uma pequena vila, na época, sem posto de gasolina, nem oficina mecânica, nem borracharia. Mas se projetava o futuro e era para ele que todos estavam voltados. O que havia de sobra era malária, o maior obstáculo também para as famílias. Jaru, outra pequena vila a 40 quilômetros de Ouro Preto, era chamada 'capital da malária'.
A comunidade comboniana que chegou para iniciar uma presença duradoura na região, empurrada pelas ne-cessidades e pelo ritmo de crescimento das vilas, logo se dividiu. Um mês mais tarde, houve uma emergência em Pimenta Bueno e dom João Batista Costa apelou aos recém-chegados para que assumissem, provisoriamente, aquela paróquia. O provisório se tornou definitivo.
Mesmo com poucas pessoas, os combonianos se encontraram com duas paróquias em grande expansão, aliás, com três, quando o padre Vialetto decidiu dedicar-se, de maneira exclusiva, ao novo e dinâmico polo de Cacoal. Não faltava trabalho: as comunidades eram todas incipientes e se multiplicavam em um ritmo impressionante. Tudo devia ser feito, desde a construção material das estruturas até à organização das pastorais.
A congregação entendeu o tamanho do desafio e assumiu a nova fronteira. Também as irmãs missionárias combonianas decidiram entrar na empreitada. Desde aquela época, muitas pessoas passaram pelas comunidades: algumas ficaram mais tempo, outras menos. Sem dúvida, os nomes estão ainda na memória de muitos. Entre as irmãs, Luigia, Carmem, Iolanda, Maria Assunta, Berenice, Maria das Graças, Sílvia, Luisa, Nicolina, Elide, Lourdes ... E entre os padres e irmãos, além dos já citados, Tonino, Hugo, José Furlanetto, Elígio, Salvador, Carlos, Egídio, Gianfranco, Pedro, André, Roberto, Mansueto, José Simionato, José Grassi, Jorge, João, Luis, irmão Guido ... Isso só para ficar em alguns e nos primeiros anos. Foi um tempo de graça.
Uma nova Igreja surgiu. O reconhecimento oficial de todo o trabalho feito veio em 1978, quando foi criada a nova prelazia de Rondônia e, finalmente, em 1983, quando foi constituída a atual diocese de Ji-Paraná.
Ao chegar na Rondônia, Padre Ezequiel Ramin havia afirmado: 'Vim entre vocês na simplicidade e na amizade, mas, antes de pôr os pés no solo brasileiro, tinha feito a minha opção preferencial: os pobres e os indígenas, as duas categorias mais exploradas desta terra'.
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