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Testemunhos

Padre BRITES no Rio Madeira

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Nas fotos: Padre Jorge no barco e com as crianças, alegria da vida dele.

NAS MARGENS DO RIO MADEIRA

Padre Jorge Brites, comboniano, nos escreveu desde Porto Velho - Rondônia:


Olá amigos e amigas. Vou descrever um pouco o ritmo do meu trabalho missionário, no meio deste povo ribeirinho que vive ao longo do Rio Madeira, aqui, na Amazônia. O Rio Madeira nasce na cordilheira dos Andes, na Bolívia, e recebe nome de Madeira porque, no período das chuvas, seu nível sobe e inunda as margens, arrastando troncos e restos de madeiras das árvores.

Um dos maiores centros, onde trabalho, com mais três missionários (um seminarista estagiário, um diácono e um padre), chama-se Calama.
É uma região onde vivem cerca de três mil habitantes ribeirinhos, espalhados em pequenas comunidades ao
longo das margens do rio. A vida é muito lenta e segue o ritmo da canoa. As comunidades, mesmo as chamadas cidades, não têm estradas, têm apenas pequenos caminhos para andar de bicicleta e a pé. Não há
nenhum carro. O único transporte para ir à cidade de Porto Velho é o barco, que demora 11 horas para chegar ao destino.

Nas visitas às Comunidades - ao todo são
mais de 70 -  ao chegarmos perto das aldeias,
encostamos o barco à margem e iniciamos a grande aventura, para tentar chegar ao centro do povoado.
Os desafios são muitos como, por exemplo, passar em cima de troncos muito finos e super escorregadios com o perigo de cair dentro dos canaviais que, segundo dizem,
estão cheios de jacarés...

À entrada de todas as comunidades há sempre um forno comunitário para torrar a farinha de mandioca. Este povo vive essencialmente desta farinha; de algum feijão de
praia, semeado na estação seca, nas margens
do rio; do peixe e da caça. O almoço dá-se quando o homem consegue apanhar o peixe.

As celebrações dão-se também muito devagar.
As escolas são um dos maiores problemas, devido à falta de estruturas e de professores.
A Igreja católica tem-se esforçado por estar presente, embora nem sempre tenha sido possível devido às muitas dificuldades que estas missões apresentam.

Além de ser um trabalho que exige muita paciência, muita disponibilidade e muita saúde para resistir às frequentes malárias, noites mal dormidas e alergias às picadas de insetos, a Missão exige também uma
grande disponibilidade financeira, pois a área missionária percorrida tem mais de 500 quilômetros de distância a percorrer, quer nos rios, quer em estradas de barro.
Agradeço muito a generosidade de muitas pessoas que me têm apoiado com as suas orações e ajuda monetária. Sem a vossa colaboração esta Missão seria impossível.

Mas vale a pena todo este esforço. Basta pensar naqueles olhares brilhantes e sorrisos maravilhosos das crianças que correm ao nosso encontro para nos abraçar, gritando: “Chegou o padre!”

Recebam os votos de uma Santa Páscoa. Que Cristo ressuscite nos vossos corações, assim, como espero, que palpite para os marginalizados e esquecidos ribeirinhos da Amazônia.

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